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domingo, 28 de outubro de 2012

Cobrador?

Na semana passada fui ao Poupatempo da Lapa para renovar minha "carta de motorista" (CNH). Como ando cada vez mais avesso a ser explorado por flanelinhas e estacionamentos, resolvi ir de ônibus. Além disso, como não vou trabalhar de carro por diversos motivos, eu teria que voltar para casa se fosse de carro.

O processo foi rápido (meia hora) e fui para o ponto final do ônibus. Depois de amargar uns 10 ou 15 minutos de fila ao sol, começamos a entrar no ônibus. Não achei o tempo excessivo pois tinha perdido o ônibus anterior um pouco antes de chegar ao ponto. Eram cerca de 9:00 de quinta-feira.

O fato que achei curioso foi que o cobrador não estava no ônibus. Para quem não sabe, aqui em São Paulo é possível ter um cartão (Bilhete único) com créditos em reais que é passado em um leitor junto à catraca liberando a mesma. As pessoas passaram seus cartões e foram se acomodando. Comentei o fato com a senhora sentada ao meu lado, passageira costumaz, e ela me disse que 90% das pessoas usam o cartão. O cobrador só entrou no ônibus quando este ia sair e não havia ninguém esperando para pagar em dinheiro. Normalmente eu volto para casa de ônibus e, pensando no assunto, vejo que é raro alguém pagar em dinheiro.

Será que não alcançamos a maturidade para não termos mais cobradores de ônibus? Nos ônibus que andei em Toronto, Montreal, Ville de Québec e Paris não existe mais este cargo. Usa-se alguma forma de pagamento eletrônico ou "tarifa exata" e, pelo o que lembro, não existem catracas.

Hoje já existem linhas especiais e intermunicipais (como as da Viação Urubupungá para Alphaville) que não tem cobrador. Então é possível e já existe.

Pode-se questionar os impactos negativos da retirada dos cobradores: O embarque pode ficar mais lento, é um trabalho a mais para o motorista, milhares de cobradores ficariam desempregados, etc.

Por outro lado, é justo a sociedade pagar por pessoas que trabalham mas quase não produzem?


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Feliz ano novo!

Para aqueles que estão no Brasil!

Como se sabe, aqui usamos o calendário brasiliano, onde o ano velho acaba na última sexta-feira antes do natal, e o ano novo começa hoje.

Como se sabe, 1º de janeiro é feriado. Depois, não melhora muito. As pessoas que decidem (gerentes, diretores, etc) estão de férias ou não vão decidir sem aqueles que estão de férias. Então, fica aquela pasmaceira.

Hoje, na primeira segunda-feira depois do carnaval, que as coisas realmente engrenam. Porque agora há metas a cumprir, cotas a atingir, etc. Então começa a época de contratação de projetos que "tem que estar prontos até  em maio, no máximo!".

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A filha da mendiga tinha uma tatuagem

É. Isso mesmo.

Estava eu subindo a Avenida Angélica e parei no semáforo diante do Pão de Açúcar. Para quem  não é de São Paulo ou não conhece a região, aquele bairro é de classe alta. Inclusive, este mercado seria demolido para dar lugar à construção de uma estação de metrô e uma moradora reclamou que iria trazer "gente diferenciada" para o bairro. O Metrô eventualmente desistiu de fazer a estação ali, apesar do protesto sobre o protesto.

Donc, a questão é que naquela calçada estavam sentadas uma senhora pedinte e duas meninas aparentando uns 8 e 13 anos. A menina mais velha tinha uma bela tatuagem colorida acima do tornozelo, acho que era um passarinho com umas coisas em volta. Aquilo chamou minha atenção e me fez pensar sobre diversas coisas:

  • Qual a história daquela mulher, que não tem como sustentar a família?
  • O que aconteceu com o pai das meninas?
  • As meninas são mesmo dela?
  • Era meio-dia. Estas meninas não deveriam estar na escola?
  • Onde elas moram? Será em uma casa em um bairro distante ou debaixo de alguma ponte?
  • Porque escolheram aquela esquina? Como chegam lá?
  • Como alguém aceita tatuar uma mendiga?
  • Como ela fez para não ter infecção?
  • Finalmente: Como alguém que não tem o que comer paga centenas de reais em uma tatuagem?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Bicicleta em São Paulo - parte II

Precisei novamente fazer o percurso casa -> cartório -> contabilidade. Desta vez criei coragem e amarrei a bike em lugares públicos.

No cartório foi mais tranquilo: Existe uma rampa com um corrimão de aço bem grosso. Deixei a bike no alto da rampa na quina com a parede, onde não atrapalhou a passagem. Além disso, sempre fica gente junto às motos e, ainda por cima, a parede do cartório é transparente e dava para ver a bike o tempo todo enquanto eu esperava minha vez.

Na contabilidade foi um pouco mais tenso: Amarrei em uma "gradinha de árvore", em falta de coisa melhor. Do outro lado da árvore tinha uma mulher conversando com um mendigo. O centro de São Paulo é um lugar bizarro. A mulher não parecia mendiga e o papo não era de assistente social. Ou eu sou preconceituoso devido ao fato do único assunto que os mendigos falam comigo é "Me dá um dinheiro?".

Quando fiz universidade, muita gente usava bike para ir ao campus. Embora todo mundo amarrasse a bike com cadeado e corrente ou cabo de aço, havia um número enorme de roubos. Um dia, uns alunos pegaram um rapaz serrando uma corrente. Foi juntando gente e começaram a bater no ladrão até que o pessoal da segurança chegasse. Por pouco o sujeito não foi linchado.

Não sei como é a relação de oferta e demanda de bicicletas roubáveis em São Paulo (Alguma ideia, Fábio?). Talvez dê muito trabalho roubar uma bike no centro e levar até o ponto de revenda. Talvez o policiamento ostensivo faça não valer o risco naquela região.

Para estacionar a bike, entra em cena a psicologia das multidões: Quando estamos em uma multidão, perdemos um certo medo das consequências.  Esta multidão pode ser conceitual, como no caso do "todo mundo faz". De forma geral, ao redor do mundo onde vi bikes usadas em grande escala, os ciclistas são extremamente "caras-de-pau" para estacionar, ou seja, amarram a bike qualquer lugar. Por exemplo: Em Barcelona, havia uma bike amarrada em um poste a 1 metro da entrada da escada para o metrô. A bicicleta caiu com a chuva forte e ficou atrapalhando todo mundo passar. No centro histórico de Amsterdã tem bicicletas amarradas em todo lugar amarrável, literalmente. Não dá para encostar em uma cerca de metal pois sempre tem bikes junto dela.

Já em São Paulo, não cola muito este estória de "todo mundo faz" já que há pouquíssimas bikes amarradas em público. Portanto, as pessoas não estão cansadas de dar esporro em ciclistas folgados (eu). Eu poderia ter tomado um no cartório.

Com se diz por aqui, o negócio é "tentar a sorte, certo?".