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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Bicicleta em São Paulo: Boa notícia

Foi inaugurado mais um trecho da ciclovia da CPTM na Marginal Pinheiros. O novo trecho liga a Vila Olímpia à Ponte da Cidade Universitária. Além disso, foi inaugurado oficialmente o acesso à estação Santo Amaro de trem, que, na prática, já estava funcionando.

E porque isso é bom?

1) Como sugere o nome, esta ponte é próxima à USP. Muitos estudantes usam bicicleta e poderão usar a ciclovia;
2) O acesso à estação Santo Amaro permitirá a entrada e saída de pessoas daquela região;
3) Quem utiliza a ciclovia para lazer e hoje entra via Vila Olímpia, terá outra opção de entrada.

Infelizmente, no último final de semana a  previsão era de chuva e mais chuva e eu não fui à ciclovia.

O caminho que normalmente faço é descer a Rebouças. De acordo com o Google Maps, da esquina da Avenida Brasil até a estação Vila Olímpia são 5 km e até a ponte da Cidade Universitária são 5,2 km. De lá até a ponte Eusébio Matoso são 2,5 Km, mas não há acesso naquela ponte.

Idealmente, teria que ter um acesso em cada ponte e em cada estação. Além dos custos de construção, existem outros pontos sensíveis:

Pontes:

  • Não dá para andar de bicicleta nas pontes: A velocidade é muito alta, o fluxo é muito grande, a visibilidade é ruim e o motorista que vem da alça de acesso está preocupado em entrar entre os carros do fluxo principal. As bicicletas teriam que trafegar na calçada;
  • Muitas pontes e viadutos em São Paulo não têm calçadas. Outras, principalmente nas marginais, não têm pontos de travessia de pedestres. Esses problemas afetariam igualmente os ciclistas;
  • Cada acesso à ciclovia da CPTM é vigiado por seguranças da empresa. Mais acessos implicam em mais seguranças e mais custos fixos. Estes custos teriam que ser provisionados no orçamento da empresa;
Estações:
  • Eu nunca utilizei os acessos nas estações Jurubatuba e Santo Amaro e não sei como eles são feitos na prática. Imagino que haja algum caminho exclusivo para as bicicletas entre a ciclovia e a saída da estação. Talvez o problema maior seja passar sobre os trilhos: Na Jurubatuba os trens não passam entre a plataforma e a ciclovia, como nas outras estações. Na Santo Amaro foi construída uma rampa que chega na parte superior da estação;

Bicicleta em São Paulo: Má notícia

O patrocínio da Porto Seguro para o Instituto Parada Vital terminou na virada do ano. A consequência disso é que os bicicletários nos estacionamentos da Estapar, associados à Porto Seguro, foram fechados. Portanto, há bicicletários e paraciclos apenas em algumas estações de Metrô e trem.

Isso muda um pouco o enfoque da solução: Antes, era possível ir de bike a algum lugar e deixá-la no estacionamento. Agora, o uso da bike é para fazer integração com os trilhos.

As estações da Avenida Paulista são subterrâneas e não têm paraciclos. Nesta região, a demanda era suprida totalmente pela Estapar.

Pesquisei alternativas e achei algumas instituições que têm paraciclos para seus usuários:
- Parque Mario Covas;
- Itaú Cultural.
- Casa das Rosas;

Não sei como seria a receptividade para pessoas que querem apenas apenas estacionar e voltar no final do dia, como eu fazia quanto ir trabalhar de bike. Parece que no Parque Mário Covas seria possível, mas não cheguei a tentar porque trabalho longe de lá.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A filha da mendiga tinha uma tatuagem

É. Isso mesmo.

Estava eu subindo a Avenida Angélica e parei no semáforo diante do Pão de Açúcar. Para quem  não é de São Paulo ou não conhece a região, aquele bairro é de classe alta. Inclusive, este mercado seria demolido para dar lugar à construção de uma estação de metrô e uma moradora reclamou que iria trazer "gente diferenciada" para o bairro. O Metrô eventualmente desistiu de fazer a estação ali, apesar do protesto sobre o protesto.

Donc, a questão é que naquela calçada estavam sentadas uma senhora pedinte e duas meninas aparentando uns 8 e 13 anos. A menina mais velha tinha uma bela tatuagem colorida acima do tornozelo, acho que era um passarinho com umas coisas em volta. Aquilo chamou minha atenção e me fez pensar sobre diversas coisas:

  • Qual a história daquela mulher, que não tem como sustentar a família?
  • O que aconteceu com o pai das meninas?
  • As meninas são mesmo dela?
  • Era meio-dia. Estas meninas não deveriam estar na escola?
  • Onde elas moram? Será em uma casa em um bairro distante ou debaixo de alguma ponte?
  • Porque escolheram aquela esquina? Como chegam lá?
  • Como alguém aceita tatuar uma mendiga?
  • Como ela fez para não ter infecção?
  • Finalmente: Como alguém que não tem o que comer paga centenas de reais em uma tatuagem?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Bicicleta em São Paulo - parte II

Precisei novamente fazer o percurso casa -> cartório -> contabilidade. Desta vez criei coragem e amarrei a bike em lugares públicos.

No cartório foi mais tranquilo: Existe uma rampa com um corrimão de aço bem grosso. Deixei a bike no alto da rampa na quina com a parede, onde não atrapalhou a passagem. Além disso, sempre fica gente junto às motos e, ainda por cima, a parede do cartório é transparente e dava para ver a bike o tempo todo enquanto eu esperava minha vez.

Na contabilidade foi um pouco mais tenso: Amarrei em uma "gradinha de árvore", em falta de coisa melhor. Do outro lado da árvore tinha uma mulher conversando com um mendigo. O centro de São Paulo é um lugar bizarro. A mulher não parecia mendiga e o papo não era de assistente social. Ou eu sou preconceituoso devido ao fato do único assunto que os mendigos falam comigo é "Me dá um dinheiro?".

Quando fiz universidade, muita gente usava bike para ir ao campus. Embora todo mundo amarrasse a bike com cadeado e corrente ou cabo de aço, havia um número enorme de roubos. Um dia, uns alunos pegaram um rapaz serrando uma corrente. Foi juntando gente e começaram a bater no ladrão até que o pessoal da segurança chegasse. Por pouco o sujeito não foi linchado.

Não sei como é a relação de oferta e demanda de bicicletas roubáveis em São Paulo (Alguma ideia, Fábio?). Talvez dê muito trabalho roubar uma bike no centro e levar até o ponto de revenda. Talvez o policiamento ostensivo faça não valer o risco naquela região.

Para estacionar a bike, entra em cena a psicologia das multidões: Quando estamos em uma multidão, perdemos um certo medo das consequências.  Esta multidão pode ser conceitual, como no caso do "todo mundo faz". De forma geral, ao redor do mundo onde vi bikes usadas em grande escala, os ciclistas são extremamente "caras-de-pau" para estacionar, ou seja, amarram a bike qualquer lugar. Por exemplo: Em Barcelona, havia uma bike amarrada em um poste a 1 metro da entrada da escada para o metrô. A bicicleta caiu com a chuva forte e ficou atrapalhando todo mundo passar. No centro histórico de Amsterdã tem bicicletas amarradas em todo lugar amarrável, literalmente. Não dá para encostar em uma cerca de metal pois sempre tem bikes junto dela.

Já em São Paulo, não cola muito este estória de "todo mundo faz" já que há pouquíssimas bikes amarradas em público. Portanto, as pessoas não estão cansadas de dar esporro em ciclistas folgados (eu). Eu poderia ter tomado um no cartório.

Com se diz por aqui, o negócio é "tentar a sorte, certo?".

domingo, 6 de novembro de 2011

Parques urbanos

Em resposta ao meu post sobre bicicletas, a Vida comentou que também tem medo de correr nos parques por aqui. Acho que este assunto também merece um post.

Em Montreal, além dos grandes parques, como Mont-Royal e Angrignon, é comum ter pequenos parques espalhados pelos bairros. Lembro de ter passado por um em Westmont, mas basta olhar os "quarteirões verdes" no Google Maps. Em Ottawa tem uma espécie de parque margeando o Canal de Rideau. Em Ville de Québec há o Battlefield Park.

Em São Paulo temos vários bons parques mas acho que são dispersos e poucos, proporcionalmente à população. Outro problema é chegar neles. Nenhum dos grandes parques é acessível por metrô. Normalmente são difíceis de estacionar e/ou há flanelinhas pedindo "para olhar" seu carro. Quando se estaciona fora do parque e não há flanelinha, corre-se o risco de roubarem seu som, ou seu carro. No Ibirapuera, o estacionamento passou a ser cobrado pois estava muito difícil de achar uma vaga (lógica contestável).

Além de tudo, há aquela cadela chamada Trânsito. Gastar 1:30 de condução ou 0:45 de carro para chegar em um parque desanima qualquer um. Enquanto em Ville de Québec as pessoas saem do trabalho às 17:00 e às 17:30 estão em algum lugar fazendo outra coisa, em São Paulo elas estão até as 19:00 no congestionamento.

Quanto à segurança, acho que alguns parques são seguros nos horários de maior movimento. Muitos parques  públicos tem dezenas de seguranças ou policiais vigiando. Mas há também exemplos como o Parque Ecológico do Tietê, onde eu nunca correria sozinha se fosse mulher. Mas a Vida está certa: O problema não são os parques, mas a sociedade violenta em que vivemos.