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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Apartamento entregue

Na semana passada conseguimos nos mudar e entregar o apartamento, que era alugado.

Foi uma mudança bem peculiar, já que as coisas que saíram de lá foram para diversos destinos: Das vendidas, algumas foram retiradas e outras entreguei; Algumas ficaram na casa do meu pai ou dos pais da minha esposa para serem levadas posteriormente; E outras foram para a moradia provisória.

Estamos morando na casa de umas amigas até o dia da imigração. Aqui que estamos fazendo o fechamento final das malas, separando as últimas coisas, etc. Esta parte é a pior, pois as coisas que tinham destinos óbvios já foram tratadas. Agora sobram aquelas coisas que devem ir para o lixo, mas não temos coragem.

Desapego, desapego!!!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Desempregado!

Hoje (ok, ontem, pois já passa da meia noite) foi meu último dia no emprego aqui no Brasil.


De certa forma foi um dia comum pois trabalhei até às 18:30 em uma tarefa que eu tinha começado há dois dias. A diferença foi que no final do dia passei a tarefa para outra pessoa e me despedi de todos.

Nesta semana fez um ano que comecei a trabalhar nesta empresa. Por enquanto estou com uma sensação de perda por não mais pertencer àquele grupo. Por um lado isso é bom, pois demonstra que fui feliz profissionalmente neste ano. Por outro lado, agora será uma ocasião ruim para sentir saudade já que estarei desempregado pelos próximos meses.

Acho que o problema é que eu realmente gostava do que eu fazia. Claro que havia dias ruins, mas havia dias tão bons que eu mal acreditava que eu ainda estava sendo pago para me divertir tanto. Hoje foi um destes dias bons e eu saí deixando a diversão pela metade.

Há um contraste muito grande com a última vez que deixei o emprego, quando eu queria que a empresa pegasse fogo.

Agora eu tenho os últimos compromissos da vida velha, que incluem sair do apartamento alugado e terminar de dar um fim nas minhas coisas.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Preparação para a imigração

Difícil é sair do Brasil.

Desmontar a casa está sendo uma trabalho hercúleo. Fizemos um blog de vendas e estamos gastando bastante energia neste assunto: Administrar o que já foi comprado / pago / entregue (que, acredite, são coisas bem distintas e dessincronizadas!) dá um trabalho imenso. Além disso, fica o frio na barriga por algumas coisas que não foram vendidas ainda.
 Além das coisas sendo vendidas, tem as que serão dadas, as que serão guardadas, algumas já estão nas malas, etc.

Algumas outras coisas já andaram bem: Já compramos as passagens, alugamos uma estadia mobiliada por um mês, marcamos a entrega do apto no Brasil e acertamos onde ficaremos nos últimos dias.

Toda essa correria impede de ficar pensando muito sobre o Canadá.

Vou trabalhar até dia 11. Todos os dias penso em pedir para sair antes mas o dó sobre o dinheiro a menos me impede. Dia 15 entregaremos o apartamento oficialmente, o que coloca um deadline em muita coisa. Depois disso teremos mais tempo para ficar com a cabeça longe.

Eu queria mesmo era ir para a praia.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Passagens compradas!


Sim, meu povo e minha pova! Agora é oficial e definitivo!

Viajaremos dia 2/2/13 para Montréal pela United. Pesando os prós (voo direto para o Canadá) e contras (mais caro) da Air Canada, decidi ir pela United devido à diferença de custo das passagens.

Originalmente eu havia comprado as passagens para 5/2 (terça-feira), mas minha esposa preferia ir em um sábado. A United tem uma política de permissão de mudança de passagens nas primeiras 24 horas sem cobrar taxa, então mudei para o sábado anterior. Na verdade, eu preferiria mudar para o sábado seguinte mas aquele seria o sábado de carnaval e não havia mais passagens naquela classe tarifária. Além disso, viajar no carnaval seria aquele stress que passa na TV todos os anos.

O mais importante da compra das passagens é que este evento define todas as outras datas: Entrega do apartamento, desligamento dos empregos, início da busca de emprego, início da busca do apartamento canadense, etc.

Agora o próximo passo é acertarmos o lugar para ficar provisoriamente nas primeiras semanas até acharmos nosso apartamento.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Fim da terceira mala grátis

Há um ano e meio atrás, quanto comprei as passagens pela Air Canada para nossa viagem de reconhecimento, fui informado que a empresa tinha uma promoção para os imigrantes: Além de poder levar as duas malas de praxe, os imigrantes poderiam levar uma terceira mala de graça.

Hoje liguei lá e fui informado que esta promoção não existe mais. Segundo a atendente, o custo de cada mala extra é de US$107,00 no percurso de São Paulo a Montreal.

Sempre assumimos que iríamos levar 6 malas. Agora que vai doer um pouco mais no bolso, é questão de repensar o assunto. Eu sempre fiquei encanado em como levar tantas malas do aeroporto até nosso primeiro  destino: Acho que não cabem tantas malas em um táxi convencional. Não quero tomar dois táxis pois não quero me separar da minha esposa neste primeiro momento. O pessoal do Bordo Congelado contratou para buscá-los um sujeito que tinha uma carretinha para carregar malas. Considerei inclusive alugar um carro, o que tem seus prós e contras.

Como diria o vice-presidente da empresa onde eu  trabalhei até o ano passado: "Isso é um problema bom!".


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O primeiro emprego que eu não consegui no Canadá

Hoje recebi um feedback de uma das empresas que me entrevistou na missão de recrutamento.

Em resumo: Désolé.

Embora fique uma ponta de desapontamento, não estou realmente chateado. Foi uma boa experiência e serviu para me conscientizar o quanto eu realmente não estava preparado. Saio desta experiência com um CV em francês, feedback sobre ele e uma carta de apresentação.

Acredito que a decisão de não me contratar já tenha ocorrido na entrevista. O próprio entrevistador encaminhou meu CV para outra empresa que também estava na missão e que não tinha me chamado para entrevista. Na entrevista nesta outra empresa, o entrevistador disse que tinha me dispensado porque eu tinha muita experiência em C++ (hã?!!!) e achou que eu não ia gostar de trabalhar em .NET. Eu garanti a ele que C# era minha linguagem preferencial há anos.

Ainda não tive retorno da segunda empresa mas sei que as probabilidades estão contra mim. Segundo o anúncio, eles pagam mais do que a primeira mas exigem francês fluente, o que eu não tenho. Além disso, fiz um teste técnico escrito e uma redação em francês. Portanto, vão poder avaliar objetivamente meu domínio da língua.

Claro que pode existir a possibilidade deles estarem interessados em alguém que saiba programar muito bem e acharem que a deficiência da língua será rapidamente superada.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Missão de recrutamento: Volta às aulas

Com o advento da missão de recrutamento decidi voltar a ter aulas de francês. Embora eu tenha parado de ter aulas desde antes do CSQ, eu sempre faço alguma atividade como ouvir a Rádio Canadá ou ler Le Figaro. Claro que isso não é suficiente. Eu já havia decidido que queria ter aulas particulares. Porém o escorpião no meu bolso me ajudava a postergar.

Vi recentemente uma escola próxima de casa. Como minha esposa teve uma boa indicação, resolvi estudar lá. O processo acabou sendo meio lento, pois envolveu uma avaliação escrita e, posteriormente, uma aula de demonstração.

Na segunda-feira fiz a aula de demonstração, que também funciona como uma avaliação. A dona da escola começou a conversar comigo em francês e, como ela é brasileira, deu para entender bem. Porém, a aula em si foi com uma professora francesa: Aí, o bicho pegou. No começo, eu não entendi quase nada mas, ao longo da aula fui conseguindo entender mais.

Na quarta-feira fizemos a primeira aula "de verdade" (ou seja, paga). Escrevi um diálogo potencial de entrevista de emprego e passamos a aula inteira discutindo este assunto. Ela corrigiu a parte que escrevi em francês e traduziu um pequeno trecho que escrevi em português.

Estou gostando bastante das aulas. Está sendo exatamente como eu queria. Porém, uma aula é realmente pouco para me preparar para uma entrevista. O lado bom é que ela disse que, de forma geral, sempre conseguiu entender o que eu queria dizer.

Agora vou fazer aquela revisão geral e encarar a entrevista no domingo.

Só emoção!

domingo, 19 de agosto de 2012

Missão de recrutamento: Convocação para entrevista

Recebi uma convocação de entrevista enviada pelo pessoal do Québec Internacional. A mesma será no próximo final de semana, portanto não tenho que me preocupar em faltar no serviço. Também enviaram um "Cahier du candidat" contendo informações sobre as empresas e custo de vida.

Após esta convocação, recebi uma mensagem de uma funcionária da empresa que possui a vaga agradecendo o interesse e confirmando a entrevista.

Agora estou em uma fase tensa: Me preparar para uma entrevista em francês! Eu sempre soube que um dia isso ia acontecer mas eu esperava já estar "vivendo em francês" no Québec quando isso fosse ocorrer.

Desejem-me sorte!

Missão de recrutamento: Prós e contras

Até este momento, a missão divulgou as vagas, recebeu currículos e selecionou os candidatos para as entrevistas. Minha avaliação até este momento:

Prós:
- Selecionaram empresas que estão dispostas a contratar trabalhadores estrangeiros, sem experiência canadense e que provavelmente vão levar de 2 a 3 meses para começarem a trabalhar;
- Fizeram uma página bonitinha em português fazendo a propaganda do Québec e explicando o propósito da missão;
- De forma geral, os anúncios continham, além dos requisitos, a carga horária e a faixa salarial;
- Após receber os currículos via e-mail, me enviaram mensagens de confirmação;

Contras:
- O processo de candidatura às vagas é vago: A única instrução é para enviar um CV para um endereço de e-mail comum à todas as vagas. Isso significa que todos os CVs serão recebidos por todas as empresas? Ou no e-mail é necessário especificar a qual(is) vaga(s) aquele CV se refere? No meu caso, coloquei o nome da vaga em português, minha tradução para francês e a URL do arquivo PDF descrevendo a vaga no site da missão.
- No Canadá é usual enviar uma carta de apresentação junto ao CV quando se candidata a alguma vaga. O site da missão não cita esta necessidade mas ouvi uma entrevista dada à uma rádio pela organizadora da missão (Márcia, eu acho) falando que deveriam ser enviados o CV e a carta.
- Os anúncios das vagas foram traduzidos. Muito porcamente. Os termos utilizados, em sua maioria, não fazem sentido no Brasil. Mas a pior parte é que os CVs precisam ser enviados em francês e é preciso ficar adivinhando qual o termo foi usado no anúncio original em francês. Por exemplo, "Programmeur" e "Développeur" são sinônimos, mas no CV você deve usar o mesmo termo usado no anúncio. Além disso, se todas as vagas exigem conhecimento de francês, porque traduzir os anúncios? Se você nem conseguir ler o anúncio em francês provavelmente não servirá para a vaga.
- O calendário de entrevistas não é divulgado, apenas que a missão será do dia x ao dia y. Se você precisar matar um ou dois dias de serviço para participar das entrevistas, seria de bom grado ter as datas previstas para as mesmas;

Apesar deste comparativo, acho que os problemas são pequenos comparados à imensa oportunidade que a missão nos apresenta.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Missão de recrutamento (Québec)

Como divulgado em outros blogs, está ocorrendo a missão de recrutamento de Québec em São Paulo e Recife. Fizeram uma página em português com as ofertas de emprego traduzidas para português. Porém, para se candidatar às vagas é necessário enviar um currículo em francês.

Para mim, fazer um currículo é uma coisa muito difícil: É necessário separar o que é importante do que não é, arrumar o estilo e a apresentação, condensar em duas páginas, etc.

E o pior de tudo: Traduzir para francês. Usando o tradutor do Google traduzi cada expressão e procurei na Internet frases usando as traduções. Às vezes eu traduzia do inglês para francês. Várias coisas eu cortei por não conseguir traduzir.

Originalmente a data limite era 3 de agosto. Por volta do dia 2 ou 3 foi adiada até dia 12. Com isso eu ganhei um tempo para fazer a carta de apresentação. Se eu tinha achado o currículo difícil, a carta foi uma prova de fogo. Primeiro, porque eu não tinha nem o conceito do que é uma carta de apresentação, já que não usamos isso no Brasil. Segundo, porque ela é obrigatoriamente rebuscada. E por último, a carta traduzida tem que parecer que está em francês, não apenas conter palavras em francês.

Na quinta-feira (9) liguei para um amigo que morou na França mas ele não podia falar no momento e ficou de me retornar. Quando ele me ligou, no sábado, estava viajando e ia ficar o final de semana fora.

No sábado à noite liguei para uma outra amiga, mais recente, que também está no processo de imigração e morou um tempo na França. Pedi a ela que revisasse o CV e a carta e tirasse os erros crassos. Ele revisou tudo na hora, mesmo sendo tarde. A versão da carta que ela enviou me deixou até emocionado: Estava em francês de verdade, daquele que você lê em revistas e jornais. Eu não canso de agradecer a ela!

No domingo, adaptei o CV e a carta para duas outras vagas. Uma terceira tinha requisitos muito diferentes e o mesmo CV não serviria. Escrevi no domingo à noite um CV em inglês e tentei a sorte.

Na segunda-feira, recebi e-mails do Québec Internacional, que é a instituição organizando a missão, acusando o recebimento das mensagens. Como sou um pouco paranoico, fiquei com medo de todo mundo mandar e-mails com anexos ao longo do final de semana e lotar a caixa de entrada.

Agora é torcer para que as coisas deem certo!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Adeus à Juraci

No último final de semana fiz a primeira venda de algo porque estou imigrando:

É irônico começar justamente pelo violoncelo.

Quando eu cursava a universidade, um colega de casa tinha um CD de música erudita que continha uma música que fazia parte das Seis Suítes para Violoncelo Solo, de J.S. Bach. Aquela música me maravilhou e, quando estive em Toronto em 2001, comprei um CD com a obra completa. O intérprete era Pieter Wispelwey (que até citei em um post anterior).

Ainda em 2001 descobri uma escola de música perto de casa que ensinava violoncelo. Fiz as primeiras aulas com o instrumento do professor, eventualmente encomendei o meu a um luthier e em janeiro de 2002 recebi a "Juraci".

Estudei em escolas até um pouco antes de casar. Depois que casei, mudaram os interesses, a disponibilidade, etc, e eu só pegava o instrumento ocasionalmente.

Acho que agora consigo me desapegar de qualquer coisa.

domingo, 20 de maio de 2012

Trilhos

O frio vento de outono assovia nas abas do meu casaco. Minhas mãos estão enfiadas nos bolsos procurando algum calor que possa ter sido largado por lá em um dia melhor. O relógio da estação marca quatro horas da tarde mas o céu nublado não permite conferir a posição do sol. Aquelas nuvens não trazem chuva, apenas tampam a vida do mundo. O dia inteiro foi assim, cinza.
A estação está deserta, além de mim e do relógio. Ele não me julga ou acusa, apenas gira seus ponteiros. Não há ponteiro de segundos e eu me pergunto se não é desperdício haver um de minutos. O local não passa de uma plataforma coberta e um pequeno guichê para venda de passagens. O guichê só funciona de manhã cedo. O tempo passa devagar, cada minuto igual ao anterior.
Em volta há apenas campos de trigo. A região é quase plana por quilômetros, terminando na cordilheira bloqueando o horizonte. É para lá que os trilhos vão, fazendo uma curva à esquerda para desviar das montanhas. O vento balança a plantação causando um barulho característico. Não se ouve nenhum animal, pessoa ou máquina, apenas as plantas batendo umas nas outras.
Desci da plataforma e sentei entre os trilhos. No horizonte, vi a minúscula imagem de um trem. Ou pelo menos, acho que vi. Racionalmente, eu sei que ele vai chegar. Que ele tem que chegar. Assim me disseram quando comprei a passagem: "O trem costuma passar às dez da manhã.". Agora eu vejo, realmente vejo um vulto. Os trilhos à minha direita e à minha esquerda vibram levemente.

Mas eu não me levanto. Como pode alguém não acreditar em um trem?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Voltando à vida

Como um monte de gente, eu entrei em "depressão pré-combo" e me afastei de tudo relacionado à imigração, incluindo o blog. Mas agora recebi centenas de mensagens de meus fãs clamando pela atualização da lista de processos e eu não poderia decepcioná-los.

Embora eu não estivesse postando, estava atualizando a lista uma vez por semana. A questão é que fui viajar no feriado da páscoa e só agora fui verificar o blog. Coincidentemente, foi neste período  que os pedidos foram enviados para várias pessoas.

Embora a fila realmente tenha voltado a andar, a minha situação não muda: Sem previsão de data para recebimento do combo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Caindo a ficha


Com um ano de processo federal, chegou aquela hora de começar a fazer as coisas que temos que fazer antes de partir. Ou pelo menos me planejar para elas.

O primeiro passo será o grande expurgo: Olhar todos os objetos que eu tenho, inclusive papelada velha, e jogar o lixo no lixo.

O segundo passo será a classificação: O que sobrar deve estar em uma das seguintes categorias:
- Coisas para levar agora: O que será levado no dia da imigração. Tem que caber em duas malas;
- Coisas para levar depois: A serem enviadas posteriormente pelo correio ou buscadas em uma futura visita ao Brasil. Limite de seis caixas;
- Coisas para vender: Objetos usados com valor financeiro;
- Coisas para dar: Objetos usados com valor financeiro irrelevante. O que ninguém quiser irá para o lixo;

O problema é que algumas coisas são difíceis de vender, como móveis, bicicleta, instrumento musical, etc. O carro também é demorado, mas vou precisar dele até a entrega do apartamento. Algumas destas coisas estão paradas e já podem ser vendidas agora.

Além disso, tem outras coisas que precisam ser tratadas: Tradução de diplomas, emissão de procurações, etc.

Outro ponto importante são as coisas a serem pesquisadas antes da viagem: Lista de documentos a serem obtidos no Canadá, endereços de órgãos de apoio, procedimentos, moradia temporária, moradia de longo prazo, situação do mercado de trabalho, lista de compras, etc.

Como diria o clichê: O futuro é hoje!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ano novo, emprego novo!


No ano passado chutei o balde e saí do emprego sem ter arrumado outro. Viajei de férias, arrumei meu CV e fui à caça de uma nova posição.

Como no Canadá vou procurar emprego em uma posição mais baixa do que a que eu estava, decidi ter uma experiência recente nesta posição. O intuito é minimizar o impacto da pergunta: "Como você era gerente, vai se adaptar a ser peão? Você está há dois anos longe desta função.". Nesta minha busca recente, eu ouvi esta pergunta frequentemente. No Canadá, a minha resposta será "Já me adaptei!".

Nesta busca recente, diagnostico que tive dois problemas:

1 - Não uso do networking: Mesmo com minha rede de contatos sendo pequena, eu decidi não usá-la. Estas pessoas me indicariam para cargos de maior responsabilidade, que são mais difíceis de serem repostos. Eu não queria "deixá-las na mão" depois de alguns meses. Possivelmente elas "queimariam favores" para me ajudar. Em suma, eu me sentiria sacaneando-as.

2 - Salário: Eu iniciei minha busca pedindo um salário de peão bem pago. Estes empregos existem, mas eu os atingiria através do networking, que eu não quis usar. Eventualmente eu diminui minha pretensão para o valor médio de mercado e consegui minha recolocação.

Eu vejo um lado bom nesta história: Tive a oportunidade de lidar ainda no Brasil com estes problemas, como criação CV, salário, procura de vagas, ansiedade, tempo livre, pressão da família, etc. Aqui eu tenho um enorme leque de vantagens: Cursei universidade de ponta, tenho muita experiência no país, falo a língua fluentemente, tenho o fenótipo da classe dominante, etc. Portanto, minha confiança sempre permaneceu alta.

No Canadá, a coisa vai ser bem pior: Eu vou procurar o emprego mais baixo na minha carreira e ainda assim terei dificuldades: Problemas com a fluência na língua, padrões de comportamento diferentes durante as entrevistas e processos de seleção, falta de networking, problemas pessoais que vão surgir, etc. Além disso, nenhuma das vantagens do parágrafo anterior se aplicará lá.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dia cinza

Hoje amanheceu chovendo e está assim a maior parte do dia. Não é uma chuva de verdade, é mais próximo de uma garoa, aquela coisa chata que não deixa a rua secar. Está tudo cinza e triste.

Hoje eu também estou cinza. Desde que eu comecei a procurar emprego eu ainda não tinha tido um dia realmente down. Todo mundo em algum momento se questiona se tomou a decisão certa e hoje é a minha vez.

Estranhamente, o motivo é ter recebido uma proposta de emprego. A questão é que a proposta não é tão boa quanto eu gostaria, mas é na área que eu gostaria de atuar. Será que estou pedindo um salário alto demais? Fiquei de dar uma resposta e, uma hora depois, fui chamado para um processo seletivo em uma multinacional. Fiz as entrevistas,  com o RH e com o gestor da vaga, e estou esperando uma resposta. O trabalho é em algo legal, bastante diferente, mas não é na mesma área que eu tinha focado minhas buscas de emprego. A questão é que enquanto participo do processo da segunda, fico enrolando a resposta da primeira e corro o risco de perder a vaga.

Minhas alternativas são:

1 - Aceitar a  proposta da primeira empresa, desconhecida, acumular experiência recente na tecnologia que pretendo procurar emprego lá, mas ganhar menos do que pedi;

2 - Torcer para entrar na segunda empresa, multinacional mundialmente famosa, mas trabalhar com algo que não será meu foco de busca de emprego lá;

3 - NDA. Continuar procurando algo nos moldes da primeira empresa, mas com um salário mais alto;

Entre as alternativas 1 e 2, fica a pergunta: O que é mais importante, quando eu chegar lá: A referência da experiência certa em uma empresa desconhecida ou a referência em uma empresa renomada em algo que não será utilizado na vaga?

Pra piorar, hoje eu li um post sobre mim escrito com um tom que eu realmente não merecia. Será que eu não presto nem como profissional nem como família?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Protocolo e reconhecimento de firma

Ouvi dizer que cartório é uma herança da nossa colonização ibérica.

Acabei de ler um post sobre a entrega do processo federal no consulado e o autor queixou-se que não recebeu um protocolo de recebimento.

Será que, como povo, somos tão desonestos? O reconhecimento de firma atesta que a assinatura não é falsa. O protocolo, que a solicitação realmente foi efetuada.

Sentiremos falta disso? Conseguiremos viver sem "número do protocolo"?

Hoje eu li uma expressão na revista Veja usada pelo Sr. Roger Noriega: "... a América Latina tem baixa capacidade de aplicação das leis."

sábado, 15 de outubro de 2011

Moradia pré-imigração

Minha senhoria decidiu vender o apartamento ainda este ano. Nós tínhamos combinado que eu poderia ficar até imigrar, contanto que a avisasse com dois meses de antecedência.

Como ela quer os ovos e o omelete, vai deixar para pedir para eu sair quando ela conseguir vender. Eu espero imigrar em março, portanto terei potencialmente quatro meses sem ter onde morar. Até o meio de agosto eu tinha uma moradia backup, mas autorizei outra pessoa morar lá. Duas semanas depois,  nas vésperas da minha viagem, fui informado desta reviravolta de planos. O lugar tinha ficado uns três anos desocupado. Que azar de timing!

O problema é alugar um lugar por tão pouco tempo: Não acredito que alguém desconhecido irá alugar para mim por tão pouco tempo. Portanto, terei que fazer um contrato normal e potencialmente pagar a multa rescisória. E quanto menor o período que eu ficar, maior a multa! O pior é que eu tinha pensado nisso em março deste ano e a proprietária tinha dito que tinha desistido de vender e que eu poderia ficar. Quem manda ser crédulo?

Até tenho algumas pessoas que poderiam desocupar um quarto na casa delas e nos acolher, mas acho abuso ficar tantos meses. Além disso, minha mulher iria me enlouquecer.

Uma possibilidade é apostar que ela não consegue vender até lá. Seria o melhor cenário, mas se ele não acontecer, ficarei em uma situação pior ainda.

Outro grande agravante é que mudar de casa dá um trabalho enorme: Garimpar outro lugar, negociar contrato, fazer a mudança e fazer a alteração de endereço em todos os lugares importantes (Consulado do Canadá, banco, cartões, etc). Este tempo poderia ser bem melhor empregado.

O que realmente me enlouquece é a indefinição de datas: Um dia o apartamento será vendido e um dia o visto vai sair. Quem consegue se planejar deste jeito?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Canadá: Impressões como visitantes - Língua

Como turistas, nosso principal contato com as pessoas é no comércio e em restaurantes. Eu esperava ser atendido de vez em quando por pessoas bilíngues. Eu achei que seria principalmente em shoppings, grandes lojas e restaurantes no centro de Montreal, em Gatineau e na parte turística de Ville de Québec.

Como meu francês não é tão bom assim, os atendentes passavam a falar em inglês quando a conversa não fluia bem. Acredito que pelo menos 95% das pessoas com quem falei falavam inglês. Isso inclui a garçonete em um restaurante simples em Verdun, os balconistas da farmácia e da loja de conveniência em Ville de Quebéc, os atendentes da praça de alimentação de um shopping no fim do mundo em Gatineau e, pasmem, até um "operário-mendigo" que veio pedir dinheiro para o ônibus em Rosemont.

A minha sensação é que, pelo menos nas cidades que eu visitei, é mais difícil arrumar um emprego um pouco melhor se você não falar as duas línguas. Outra constatação foi que o meu francês precisa evoluir muito até que eu consiga entender os nativos conversando entre si.

Um ponto curioso sobre Ottawa: Como minha mulher não fala inglês, ela falava francês com as pessoas. Lá foi o contrário: Quase ninguém falava francês.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Canadá: Impressões como visitantes - Transporte e moradia

Voltei hoje de uma viagem ao Québec como turista. Fomos ver o quanto a grama do vizinho é mais verde. Eu já tinha visitado Toronto em 2001, mas minha esposa não tinha ido ainda. Como é uma decisão radical largar tudo e ir morar em outro país, fomos fazer uma viagem de reconhecimento. Eu entendo que a visão que temos do país como visitantes é bastante limitada comparada com a de imigrantes, mas fomos procurando olhar ao menos alguns pontos relevantes.

Os pontos principais que focamos foi transporte e moradia. Inicialmente, a vida que eu procuro no Canadá não inclui ter um carro. Portanto, morar em locais com transporte frequente era o primeiro fator de escolha. Baseados nisso e em outras dicas sobre bairros dadas por brasileiros imigrantes, definimos as regiões desejadas. Procuramos anúncios de apartamentos no Kijiji nestas regiões e fomos até em frente dos prédios. Desta forma pudemos conhecer os meios de transporte e ter uma idéia geral do bairro. Claro que ver o prédio por fora não significa nada, mas era melhor do que simplesmente vagarmos por ruas escolhidas ao acaso.

Em Montreal só utilizamos metrô, portanto não sei como seria a vida com integração de ônibus. Como foi a maior cidade visitada, foi a que visitamos mais bairros: Rosemont, Outremont, Westmont, trechos de Cote-des-Neiges, Verdun (até o Parque Angrignon), além do centro. Os bairros "*mont" me lembram aquele ditado: "Há um mundo melhor, mas ele é bem mais caro". Achei que Westmont é um bairro de cair o queixo. No final do Boulevard de Maisonneuve tinha uma Lamborguini estacionada na rua, o que eu considerei uma dica que morar naquele bairro talvez não caiba no meu poder aquisitivo. Eu gostei bastante de Verdun, principalmente entre as estações Jolicoeur e Angrignon. Não me sinto qualificado para comentar Cote-des-Neiges, pois aparentemente o bairro é bastante heterogêneo. O centro me lembra o Brasil: Lojas de grife e muitos mendigos.

Em Gatineau, no primeiro dia visitamos Hull e no segundo alugamos um carro e visitamos Gatineau, Aylmer e Manoir des Trembles. Não usamos transporte coletivo, pois lemos que lá é complicado depender de ônibus. Hull é legal no trecho extremamente perto de Ottawa. Em alguns quarteirões para frente já fica bem mais bizarro. Manoir des Trembles parece o cenário de "Desperate Housewives". Aylmer e Gatineau (região do Boulevard de Maloney) são lugares razoavelmente bonitos e pacatos. Acho que deve ser uma cidade boa para viver, mas tive a forte impressão que realmente seria necessário ter carro.

Em Ville de Québec focamos nossa busca no trecho percorrido pelo Metrobus do centro até Sainte-Foy. Deu para entender porque tantos brasileiros imigram para uma cidade tão pequena. A sensação de qualidade de vida é muito grande: Muito verde, pouco trânsito e pouco stress. Os motoristas de ônibus parecem felizes. O problema é que não é rápido: Leva cerca de meia hora para ir de ônibus de Sainte-Foy até o centro. Na terça-feira fomos até o ponto final da linha 800 do Metrobus: É no meio do nada, um lugar onde só tem mato. Literalmente. Eu esperava um terminal de transferência com diversas plataformas e ônibus indo para mais longe ainda.

Escolhi estas cidades por acreditar que elas são as melhores opções para arranjar emprego e também devido à minha visão pré-concebida de como elas seriam: Montreal seria a metrópole onde há emprego, mas eu gastaria uma hora e meia para ir de casa ao trabalho e todo mundo lá seria árabe, indiano ou chinês. A Ville de Québec seria uma cidadezinha minúscula onde ninguém falaria inglês. Gatineau seria uma cidade dormitório sem empregos e economia própria, onde todo mundo iria trabalhar em Ottawa.

Nesta viagem constatei que todas estes preconceitos eram fortes demais: Em Montreal acredito ser viável morar a meia hora do centro usando o metrô. A proporção de "minorias visíveis" que eu encontrei foi bem menor do que eu esperava. Ville de Québec é uma cidade geograficamente muito grande e todo mundo que encontrei no comércio fala inglês. Minha impressão sobre Gatineau não mudou muito, mas talvez eu não tenha ido aos lugares corretos.

Minha conclusão foi que as três cidades oferecem estilos de vida diferentes: Montreal é a metrópole onde há muitas opções de quase tudo. Ville de Québec é uma versão mais "cidade pequena", sendo uma cidade mais Quebequense. Gatineau é mais "subúrbio", no sentido estadunidense do termo, e achei que ela é muito mais Ontário do que Québec.