Hoje amanheceu chovendo e está assim a maior parte do dia. Não é uma chuva de verdade, é mais próximo de uma garoa, aquela coisa chata que não deixa a rua secar. Está tudo cinza e triste.
Hoje eu também estou cinza. Desde que eu comecei a procurar emprego eu ainda não tinha tido um dia realmente down. Todo mundo em algum momento se questiona se tomou a decisão certa e hoje é a minha vez.
Estranhamente, o motivo é ter recebido uma proposta de emprego. A questão é que a proposta não é tão boa quanto eu gostaria, mas é na área que eu gostaria de atuar. Será que estou pedindo um salário alto demais? Fiquei de dar uma resposta e, uma hora depois, fui chamado para um processo seletivo em uma multinacional. Fiz as entrevistas, com o RH e com o gestor da vaga, e estou esperando uma resposta. O trabalho é em algo legal, bastante diferente, mas não é na mesma área que eu tinha focado minhas buscas de emprego. A questão é que enquanto participo do processo da segunda, fico enrolando a resposta da primeira e corro o risco de perder a vaga.
Minhas alternativas são:
1 - Aceitar a proposta da primeira empresa, desconhecida, acumular experiência recente na tecnologia que pretendo procurar emprego lá, mas ganhar menos do que pedi;
2 - Torcer para entrar na segunda empresa, multinacional mundialmente famosa, mas trabalhar com algo que não será meu foco de busca de emprego lá;
3 - NDA. Continuar procurando algo nos moldes da primeira empresa, mas com um salário mais alto;
Entre as alternativas 1 e 2, fica a pergunta: O que é mais importante, quando eu chegar lá: A referência da experiência certa em uma empresa desconhecida ou a referência em uma empresa renomada em algo que não será utilizado na vaga?
Pra piorar, hoje eu li um post sobre mim escrito com um tom que eu realmente não merecia. Será que eu não presto nem como profissional nem como família?
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Protocolo e reconhecimento de firma
Ouvi dizer que cartório é uma herança da nossa colonização ibérica.
Acabei de ler um post sobre a entrega do processo federal no consulado e o autor queixou-se que não recebeu um protocolo de recebimento.
Será que, como povo, somos tão desonestos? O reconhecimento de firma atesta que a assinatura não é falsa. O protocolo, que a solicitação realmente foi efetuada.
Sentiremos falta disso? Conseguiremos viver sem "número do protocolo"?
Hoje eu li uma expressão na revista Veja usada pelo Sr. Roger Noriega: "... a América Latina tem baixa capacidade de aplicação das leis."
Acabei de ler um post sobre a entrega do processo federal no consulado e o autor queixou-se que não recebeu um protocolo de recebimento.
Será que, como povo, somos tão desonestos? O reconhecimento de firma atesta que a assinatura não é falsa. O protocolo, que a solicitação realmente foi efetuada.
Sentiremos falta disso? Conseguiremos viver sem "número do protocolo"?
Hoje eu li uma expressão na revista Veja usada pelo Sr. Roger Noriega: "... a América Latina tem baixa capacidade de aplicação das leis."
domingo, 6 de novembro de 2011
Parques urbanos
Em resposta ao meu post sobre bicicletas, a Vida comentou que também tem medo de correr nos parques por aqui. Acho que este assunto também merece um post.
Em Montreal, além dos grandes parques, como Mont-Royal e Angrignon, é comum ter pequenos parques espalhados pelos bairros. Lembro de ter passado por um em Westmont, mas basta olhar os "quarteirões verdes" no Google Maps. Em Ottawa tem uma espécie de parque margeando o Canal de Rideau. Em Ville de Québec há o Battlefield Park.
Em São Paulo temos vários bons parques mas acho que são dispersos e poucos, proporcionalmente à população. Outro problema é chegar neles. Nenhum dos grandes parques é acessível por metrô. Normalmente são difíceis de estacionar e/ou há flanelinhas pedindo "para olhar" seu carro. Quando se estaciona fora do parque e não há flanelinha, corre-se o risco de roubarem seu som, ou seu carro. No Ibirapuera, o estacionamento passou a ser cobrado pois estava muito difícil de achar uma vaga (lógica contestável).
Além de tudo, há aquela cadela chamada Trânsito. Gastar 1:30 de condução ou 0:45 de carro para chegar em um parque desanima qualquer um. Enquanto em Ville de Québec as pessoas saem do trabalho às 17:00 e às 17:30 estão em algum lugar fazendo outra coisa, em São Paulo elas estão até as 19:00 no congestionamento.
Quanto à segurança, acho que alguns parques são seguros nos horários de maior movimento. Muitos parques públicos tem dezenas de seguranças ou policiais vigiando. Mas há também exemplos como o Parque Ecológico do Tietê, onde eu nunca correria sozinha se fosse mulher. Mas a Vida está certa: O problema não são os parques, mas a sociedade violenta em que vivemos.
Em Montreal, além dos grandes parques, como Mont-Royal e Angrignon, é comum ter pequenos parques espalhados pelos bairros. Lembro de ter passado por um em Westmont, mas basta olhar os "quarteirões verdes" no Google Maps. Em Ottawa tem uma espécie de parque margeando o Canal de Rideau. Em Ville de Québec há o Battlefield Park.
Em São Paulo temos vários bons parques mas acho que são dispersos e poucos, proporcionalmente à população. Outro problema é chegar neles. Nenhum dos grandes parques é acessível por metrô. Normalmente são difíceis de estacionar e/ou há flanelinhas pedindo "para olhar" seu carro. Quando se estaciona fora do parque e não há flanelinha, corre-se o risco de roubarem seu som, ou seu carro. No Ibirapuera, o estacionamento passou a ser cobrado pois estava muito difícil de achar uma vaga (lógica contestável).
Além de tudo, há aquela cadela chamada Trânsito. Gastar 1:30 de condução ou 0:45 de carro para chegar em um parque desanima qualquer um. Enquanto em Ville de Québec as pessoas saem do trabalho às 17:00 e às 17:30 estão em algum lugar fazendo outra coisa, em São Paulo elas estão até as 19:00 no congestionamento.
Quanto à segurança, acho que alguns parques são seguros nos horários de maior movimento. Muitos parques públicos tem dezenas de seguranças ou policiais vigiando. Mas há também exemplos como o Parque Ecológico do Tietê, onde eu nunca correria sozinha se fosse mulher. Mas a Vida está certa: O problema não são os parques, mas a sociedade violenta em que vivemos.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Bicicletas no Canadá e medo em São Paulo
Nos últimos anos, trabalhei em uma forma de contratação "cinzenta" denominada "PJ", ou seja, eu tenho uma "empresa de eu mesmo" que "prestava serviços" para meu ex-contratante. Como não vou mais trabalhar neste formato, iniciei o processo de fechamento da empresa.
Hoje tive que ir ao cartório para reconhecer firma e à empresa de contabilidade para entregar este documento. Como o dia estava bonito, estou desempregado e adoro pedalar, fui de bike. A idéia era amarrar a bike em frente ao cartório mas, na hora H, não tive coragem.
Eu sei que foi pura paranóia, já que tinha vários motoboys no estacionamento, mas não consegui. Acha que uma vida inteira em São Paulo me deixou traumas demais:
Em São Paulo existem estacionamentos de bikes onde ficam "menores aprendizes" olhando as bikes, portanto acabei parando lá.
Na minha recente viagem ao Canadá vi grande uso de bicicletas. Agora que fui procurar umas fotos, notei que EM MUITAS fotos tem alguém passando de bike.
Montreal:
Hoje tive que ir ao cartório para reconhecer firma e à empresa de contabilidade para entregar este documento. Como o dia estava bonito, estou desempregado e adoro pedalar, fui de bike. A idéia era amarrar a bike em frente ao cartório mas, na hora H, não tive coragem.
Eu sei que foi pura paranóia, já que tinha vários motoboys no estacionamento, mas não consegui. Acha que uma vida inteira em São Paulo me deixou traumas demais:
- Quando eu era criança, meu maior medo era ter minha bicicleta roubada. Um dos meus irmãos teve a bicicleta roubada na porta do supermercado. Um dia, entrou um sujeito no quintal de casa de madrugada e roubou a bicicleta de meu outro irmão. Meu sobrinho teve a minha bicicleta roubada com coronhada na cabeça.
- O carro do meu pai foi roubado de mim em um dia que fui comprar um jornal para procurar emprego ;(
- Já fui assaltado 5 vezes
- Meu carro foi arrombado (porta amassada) para levarem o aparelho de som.
Em São Paulo existem estacionamentos de bikes onde ficam "menores aprendizes" olhando as bikes, portanto acabei parando lá.
Na minha recente viagem ao Canadá vi grande uso de bicicletas. Agora que fui procurar umas fotos, notei que EM MUITAS fotos tem alguém passando de bike.
Montreal:
As pessoas normais usam, não só os loucos.
Paraciclo - Centro
Paraciclo - Rosemont
Paraciclo - Metrô Vendôme
Paraciclo - Porto
Bike amarrada na árvore
Vi pela cidade inteira bicicletas amarradas em qualquer coisa.
Ottawa:
Paraciclo mais "formal"
Este modelo de paraciclo é bastante comum no centro de Ottawa.
Mas lá também amarram em qualquer coisa. Não visitei fora do centro.
Ville de Québec:
Paraciclo - Marché du Vieux-Port
Lá também tem bikes amarradas.
Um dos motivos porque quero me mudar para o Canadá é poder ter menos medo da violência. Sei que lá roubos de bicicletas também acontecem, mas acredito que seja bem menos frequente.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Procurando emprego
Decidi procurar um emprego mais técnico, de forma a me atualizar na prática sobre as novas tecnologias na minha área de atuação. Eu sei que no Canadá não irei arranjar um emprego "de chefe", portanto é melhor botar a mão na massa de novo. Além disso, é o tipo de trabalho que eu realmente gosto de fazer.
Outro ponto é que desde 1996 eu não "garimpo" um emprego. Fiquei naquela empresa até 1999 e desde então todos os meus empregos foram por indicação.
O primeiro passo foi atualizar meu currículo. A última versão que eu tinha feito ainda tinha um enfoque "de chefe", portanto precisei refazê-lo com um enfoque mais
Fazer um currículo é um exercício de auto análise: O que realizei? Por que isso é importante para quem vai ler o currículo? O que vale a pena citar e em qual profundidade? NO QUE EU SOU REALMENTE BOM? O que eu tenho que é mais valioso que o dos meus concorrentes?
Consegui redigir as partes mais críticas e atualizei meu currículo em um grande site de empregos. Amanhã fará uma semana que comecei a responder anúncios do site. Até agora respondi a 18 anúncios, mas só hoje tive meu primeiro retorno. Ainda bem, porque eu estava ficando estressado de não ter respostas.
Outra dúvida crucial é: Quanto eu vou pedir de salário? Se eu pedir muito, posso acabar "acima do mercado" e não conseguir um emprego. Se for pouco, posso estar me vendendo barato. O problema é que normalmente o salário é perguntado antes da entrevista. Para responder cada anúncio de emprego neste site é necessário preencher um questionário. A maior parte deles tem a questão: "Qual sua pretensão salarial? Não responder 'A combinar'". Decidi, na grande maioria das vezes, não responder um valor, mas colocar algo mais genérico que signifique "a combinar".
Para mim, o salário é um fator que depende de muitas coisas: Qual o cargo, as responsabilidades, o tipo de trabalho, a carga de trabalho, a necessidade de disponibilidade, a localização da empresa, se vou trabalhar em um lugar fixo ou visitar clientes, se preciso usar meu carro, etc. Além disso, também existe o salário indireto: Vale refeição, vale alimentação, participação de resultados, etc.
Ainda estou dando uma polida no histórico, mas pretendo ter o texto definitivo em breve. Não aguento mais escrever currículo!!!
Amanhã terei minha primeira entrevista em uma empresa de seleção. Se der certo, depois farei outra na empresa que realmente possui a vaga. Agora é só torcer!
Eu li... "Ace the IT Resume"
Eu procurava um livro com dicas sobre currículos e encontrei este, específico para a minha área (Informática).
O livro é de 2007, mas eu desconfio que seja uma versão requentada da edição de 2001. Os comentários sobre o mercado de trabalho são pré crise de 2008, mas o objetivo continua o mesmo.
O livro examina cada parte do currículo e dá dicas como abordá-las. Os exemplos são sempre na área de TI, o que torna os conceitos mais familiares. Depois dá dicas sobre o que fazer com situações atípicas (períodos parados, mudança de profissão, etc). Também possui dicas sobre formatação true type e ASCII
e possui um apêndice com exemplos de anúncios e currículos.
Ele também possui um capítulo sobre cartas de apresentação. Eu não o li, pois não usamos isso no Brasil. Entendo que no Canadá será útil.
Um ponto que achei fraco é que ele poderia ter mais exemplos. Normalmente só há um exemplo de cada situação.
A minha avaliação é que supriu minhas expectativas.
sábado, 15 de outubro de 2011
Moradia pré-imigração
Minha senhoria decidiu vender o apartamento ainda este ano. Nós tínhamos combinado que eu poderia ficar até imigrar, contanto que a avisasse com dois meses de antecedência.
Como ela quer os ovos e o omelete, vai deixar para pedir para eu sair quando ela conseguir vender. Eu espero imigrar em março, portanto terei potencialmente quatro meses sem ter onde morar. Até o meio de agosto eu tinha uma moradia backup, mas autorizei outra pessoa morar lá. Duas semanas depois, nas vésperas da minha viagem, fui informado desta reviravolta de planos. O lugar tinha ficado uns três anos desocupado. Que azar de timing!
O problema é alugar um lugar por tão pouco tempo: Não acredito que alguém desconhecido irá alugar para mim por tão pouco tempo. Portanto, terei que fazer um contrato normal e potencialmente pagar a multa rescisória. E quanto menor o período que eu ficar, maior a multa! O pior é que eu tinha pensado nisso em março deste ano e a proprietária tinha dito que tinha desistido de vender e que eu poderia ficar. Quem manda ser crédulo?
Até tenho algumas pessoas que poderiam desocupar um quarto na casa delas e nos acolher, mas acho abuso ficar tantos meses. Além disso, minha mulher iria me enlouquecer.
Uma possibilidade é apostar que ela não consegue vender até lá. Seria o melhor cenário, mas se ele não acontecer, ficarei em uma situação pior ainda.
Outro grande agravante é que mudar de casa dá um trabalho enorme: Garimpar outro lugar, negociar contrato, fazer a mudança e fazer a alteração de endereço em todos os lugares importantes (Consulado do Canadá, banco, cartões, etc). Este tempo poderia ser bem melhor empregado.
O que realmente me enlouquece é a indefinição de datas: Um dia o apartamento será vendido e um dia o visto vai sair. Quem consegue se planejar deste jeito?
Como ela quer os ovos e o omelete, vai deixar para pedir para eu sair quando ela conseguir vender. Eu espero imigrar em março, portanto terei potencialmente quatro meses sem ter onde morar. Até o meio de agosto eu tinha uma moradia backup, mas autorizei outra pessoa morar lá. Duas semanas depois, nas vésperas da minha viagem, fui informado desta reviravolta de planos. O lugar tinha ficado uns três anos desocupado. Que azar de timing!
O problema é alugar um lugar por tão pouco tempo: Não acredito que alguém desconhecido irá alugar para mim por tão pouco tempo. Portanto, terei que fazer um contrato normal e potencialmente pagar a multa rescisória. E quanto menor o período que eu ficar, maior a multa! O pior é que eu tinha pensado nisso em março deste ano e a proprietária tinha dito que tinha desistido de vender e que eu poderia ficar. Quem manda ser crédulo?
Até tenho algumas pessoas que poderiam desocupar um quarto na casa delas e nos acolher, mas acho abuso ficar tantos meses. Além disso, minha mulher iria me enlouquecer.
Uma possibilidade é apostar que ela não consegue vender até lá. Seria o melhor cenário, mas se ele não acontecer, ficarei em uma situação pior ainda.
Outro grande agravante é que mudar de casa dá um trabalho enorme: Garimpar outro lugar, negociar contrato, fazer a mudança e fazer a alteração de endereço em todos os lugares importantes (Consulado do Canadá, banco, cartões, etc). Este tempo poderia ser bem melhor empregado.
O que realmente me enlouquece é a indefinição de datas: Um dia o apartamento será vendido e um dia o visto vai sair. Quem consegue se planejar deste jeito?
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