quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Canadá: Impressões como visitantes - Transporte e moradia

Voltei hoje de uma viagem ao Québec como turista. Fomos ver o quanto a grama do vizinho é mais verde. Eu já tinha visitado Toronto em 2001, mas minha esposa não tinha ido ainda. Como é uma decisão radical largar tudo e ir morar em outro país, fomos fazer uma viagem de reconhecimento. Eu entendo que a visão que temos do país como visitantes é bastante limitada comparada com a de imigrantes, mas fomos procurando olhar ao menos alguns pontos relevantes.

Os pontos principais que focamos foi transporte e moradia. Inicialmente, a vida que eu procuro no Canadá não inclui ter um carro. Portanto, morar em locais com transporte frequente era o primeiro fator de escolha. Baseados nisso e em outras dicas sobre bairros dadas por brasileiros imigrantes, definimos as regiões desejadas. Procuramos anúncios de apartamentos no Kijiji nestas regiões e fomos até em frente dos prédios. Desta forma pudemos conhecer os meios de transporte e ter uma idéia geral do bairro. Claro que ver o prédio por fora não significa nada, mas era melhor do que simplesmente vagarmos por ruas escolhidas ao acaso.

Em Montreal só utilizamos metrô, portanto não sei como seria a vida com integração de ônibus. Como foi a maior cidade visitada, foi a que visitamos mais bairros: Rosemont, Outremont, Westmont, trechos de Cote-des-Neiges, Verdun (até o Parque Angrignon), além do centro. Os bairros "*mont" me lembram aquele ditado: "Há um mundo melhor, mas ele é bem mais caro". Achei que Westmont é um bairro de cair o queixo. No final do Boulevard de Maisonneuve tinha uma Lamborguini estacionada na rua, o que eu considerei uma dica que morar naquele bairro talvez não caiba no meu poder aquisitivo. Eu gostei bastante de Verdun, principalmente entre as estações Jolicoeur e Angrignon. Não me sinto qualificado para comentar Cote-des-Neiges, pois aparentemente o bairro é bastante heterogêneo. O centro me lembra o Brasil: Lojas de grife e muitos mendigos.

Em Gatineau, no primeiro dia visitamos Hull e no segundo alugamos um carro e visitamos Gatineau, Aylmer e Manoir des Trembles. Não usamos transporte coletivo, pois lemos que lá é complicado depender de ônibus. Hull é legal no trecho extremamente perto de Ottawa. Em alguns quarteirões para frente já fica bem mais bizarro. Manoir des Trembles parece o cenário de "Desperate Housewives". Aylmer e Gatineau (região do Boulevard de Maloney) são lugares razoavelmente bonitos e pacatos. Acho que deve ser uma cidade boa para viver, mas tive a forte impressão que realmente seria necessário ter carro.

Em Ville de Québec focamos nossa busca no trecho percorrido pelo Metrobus do centro até Sainte-Foy. Deu para entender porque tantos brasileiros imigram para uma cidade tão pequena. A sensação de qualidade de vida é muito grande: Muito verde, pouco trânsito e pouco stress. Os motoristas de ônibus parecem felizes. O problema é que não é rápido: Leva cerca de meia hora para ir de ônibus de Sainte-Foy até o centro. Na terça-feira fomos até o ponto final da linha 800 do Metrobus: É no meio do nada, um lugar onde só tem mato. Literalmente. Eu esperava um terminal de transferência com diversas plataformas e ônibus indo para mais longe ainda.

Escolhi estas cidades por acreditar que elas são as melhores opções para arranjar emprego e também devido à minha visão pré-concebida de como elas seriam: Montreal seria a metrópole onde há emprego, mas eu gastaria uma hora e meia para ir de casa ao trabalho e todo mundo lá seria árabe, indiano ou chinês. A Ville de Québec seria uma cidadezinha minúscula onde ninguém falaria inglês. Gatineau seria uma cidade dormitório sem empregos e economia própria, onde todo mundo iria trabalhar em Ottawa.

Nesta viagem constatei que todas estes preconceitos eram fortes demais: Em Montreal acredito ser viável morar a meia hora do centro usando o metrô. A proporção de "minorias visíveis" que eu encontrei foi bem menor do que eu esperava. Ville de Québec é uma cidade geograficamente muito grande e todo mundo que encontrei no comércio fala inglês. Minha impressão sobre Gatineau não mudou muito, mas talvez eu não tenha ido aos lugares corretos.

Minha conclusão foi que as três cidades oferecem estilos de vida diferentes: Montreal é a metrópole onde há muitas opções de quase tudo. Ville de Québec é uma versão mais "cidade pequena", sendo uma cidade mais Quebequense. Gatineau é mais "subúrbio", no sentido estadunidense do termo, e achei que ela é muito mais Ontário do que Québec.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

As seis suítes para violoncelo solo, de Johann Sebastian Bach

Em um post anterior, continuei o assunto dos pertences a serem levados para o Canadá. Naquela época, afirmei que eu tinha poucos objetos com grande valor sentimental, portanto eu poderia facilmente levar todos.

Mas...


Há quase dez anos atrás, após me formar na universidade, decidi estudar violoncelo para tocar as seis suítes para violoncelo solo, de Johann Sebastian Bach. Estudei a coisa por uns quatro ou cinco anos, mas, na melhor das hipóteses, eu era uns estudante medíocre. Cheguei a ter aulas sobre o prelúdio da suíte número 2, mas nunca realmente a dominei. Eventualmente eu me casei e nunca mais cheguei a estudar seriamente.

O ponto que está doendo agora é que tive uma oportunidade de vendê-lo, mas não consegui. O problema não é me desfazer do instrumento em si, mas o sonho não alcançado que ele representa. Quando eu não mais o tiver, vai significar formalmente que fracassei neste sonho no qual investi tanto anos de estudos.

Por outro lado, por vários motivos não acho realista levar um violoncelo na imigração. Primeiro, não dá para levar como bagagem, já que excede os limites das companhias aéreas. Segundo, qualquer forma de levar provavelmente acabaria muito cara, não valendo a pena financeiramente. Terceiro, duvido que que eu vá morar nos primeiros tempos em um lugar acusticamente isolado o suficiente para poder estudar. E quarto, e mais doloroso, se eu não voltei a estuda até agora, não vou mais voltar.

Portanto, acho que o melhor a fazer é ter um período de luto pela morte do meu sonho e vender o instrumento.


sábado, 18 de junho de 2011

Eu assisti...

Os homens que não amavam as mulheres (Versão sueca).

Baseado no livro homônimo, conta a busca por uma adolescente desaparecida em 1966.

Como eu li todos os livros da trilogia, minha avaliação sobre o filme é bastante parcial. De forma geral, o enredo é bastante fiel ao livro, mas claro que muita coisa foi cortada.

O fato que eu achei engraçado foi a escolha dos atores. O autor deixa bem claro que a personagem da capa é bem pequena e sem graça, sendo confundida com uma pré-adolescente o tempo todo. Eu sempre a imaginei como a personagem Becca Moody do Californication (pessoa mais à esquerda nesta foto) A atriz escolhida é bem grandinha. Por outro lado, no filme o personagem masculino principal é bem sem graça, sendo que ao longo da trilogia diversas mulheres se jogam na cama dele. No filme, ele não tem este perfil "arrasa-corações".


Embora o filme dure 2:30h, não achei cansativo. Sei que os filmes dos outros dois livros foram feitos mas acho que não foram lançados no Brasil.

domingo, 12 de junho de 2011

Eu li...

"The girl who kicked the hornet's nest". No Brasil, "A Rainha Do Castelo De Ar", em Francês, "La Reine dans le palais des courants d'air". É o terceiro livro da trilogia "Millenium".



O título em sueco é "O castelo de ar que explode", onde "castelo de ar" significa um sonho inatingível. Não vejo muita ligação com o livro.

Este livro é a continuação do livro anterior, portanto não aconselho lê-lo sem ter lido aquele.

Nesse thriller policial o autor acertou a mão. Li compulsivamente a partir de uns 40% do livro (o kindle não apresenta número da página, mas o percentual de progressão). MUITO legal.

A trama envolve conspirações, "queima de arquivo", perseguições, espionagem, contra-espionagem, órgãos do governo, polícia, mídia, etc. No final há o julgamento da heroína. E, claro, o "água de bateria" Blomkvist, como um James Bond escandinavo, catando a mulherada.

Ao contrário do livro anterior, este amarra todas as pontas no final.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Hoje aqui está frio

Esta noite eu estava no ponto de ônibus e o termômetro marcava 13 graus. Embora bem agasalhado, eu pensei em como a noite estava fria.

Vamos ver o que eu vou achar disso daqui a um ano e meio, quando 13 graus vai ser quente.

Me lembro de um dia de inverno em Toronto quando eu estava na rua e comecei a sentir muito calor. Fui abrindo a roupa e vi um termômetro marcando 9 graus. Nos dias anteriores estava 2 graus, o que prova que tudo é relativo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

2:30 para ser atendido na emergência do hospital

Não foi em Québec ou no SUS. Foi em um hospital na zona oeste de São Paulo.


Nunca tinha ido neste hospital antes. Não sei se foi azar, o tempo  frio, ou se é sempre assim. A sala de espera tinha uns cinquenta assentos. Na hora em que fui atendido tinham umas cem pessoas, o que significa que não tinham mais paredes e pilastras para as pessoas que estavam em pé encostarem. Com o tempo começou a ficar difícil andar entre as pessoas. Sinistro.

Este é um hospital particular e a unidade da zona oeste que é a "chique". Os planos de saúde mais simples não dão cobertura nele. Eu fui lá porque sou dependente no plano da Lisbela, que é bem melhor do que o meu.

Lá tem um sistema de triagem por cores: Vermelho para quem está literalmente morrendo, amarelo para quem não está morrendo por enquanto, azul para preferenciais (idosos e gestantes) e verde para quem não corre risco iminente. Como pode-se imaginar, désólé para os verdes.  Mas a moça com a pulseira amarela na cadeira de rodas na minha frente deve ter esperado cerca de uma hora.

P.S.: Agora estou bem. Apesar da espera, o hospital é bom.

15 minutos de fama

A última postagem teve um efeito colateral que eu não esperava:


Terceiro site na busca pelo artigo no Google! Tudo bem que só três sites trouxeram a "busca exata" :)

A Lisbela me falou que o meu blog tinha tido algumas dezenas de acessos desde ontem. Na hora, eu pensei: "O que não faz uma nova imagem de fundo!" (brincadeirinha... Coloquei ontem a imagem cedida pela Patinha). Quando fui ver as estatísticas de acesso é que vi que os acessos vinham do Google.

Eu sempre desejei que meu blog fosse "de nicho". Este contato com o "mainstream" é um pouco perigoso, mas na semana que vem estas palavras chaves terão afundado nas areias do esquecimento e a vida voltará ao normal.